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A Fortaleza Invisível da Vida.

Escrevo estas linhas como quem acende uma vela em nome da memória. Não por vaidade, mas por dever. Porque sei que há histórias que, se não forem escritas, evaporam. E há pessoas que, se não forem homenageadas em vida, silenciam dentro de nós.



Hoje, ao lembrar da Fortaleza Santa Catarina, compreendo que existem fortalezas feitas de pedra… e existem aquelas construídas dentro da alma humana.



O Forte de Santa Catarina de Cabedelo, popularmente conhecido como Fortaleza de Santa Catarina, permanece vivo no coração do povo porque ultrapassou a condição de simples construção militar. Tornou-se símbolo emocional, cultural e espiritual de uma cidade inteira. Suas muralhas resistiram ao tempo, às invasões, à chuva, ao sal do mar e às dores da história. E talvez por isso ele nos ensine tanto sobre a vida: permanecer de pé também é uma forma de resistência.



Escrevo estas linhas como quem acende uma vela em nome da memória. Não por vaidade, mas por dever. Porque sei que há histórias que, se não forem escritas, evaporam. E há pessoas que, se não forem homenageadas em vida, silenciam dentro de nós.



Hoje, meu coração encontra-se fragilizado.



Uma das nossas acadêmicas da Academia Cabedelense de Ciências, Artes e Letras – Litorânea e da Academia da Mulher Cabedelense de Letras, Artes e Ciências, encontra-se internada em uma UTI, ligada a máquinas, lutando silenciosamente pela vida. Teresa Madalena. Mulher da comunicação, da cultura, da palavra e do sorriso fácil. Apresentadora de televisão, incentivadora das artes e da literatura, defensora da cultura do nosso município e de toda a Paraíba.



Sua patronesse na Academia da mulher não poderia ser outra: Hebe Camargo. Porque Teresa sempre carregou algo raro: a capacidade de acolher pessoas com luz.



Durante muito tempo tivemos juntas um quadro em seu programa de televisão: Amigos da Palavra. Líamos livros, compartilhávamos impressões, discutíamos histórias e transformávamos a literatura em ponte entre pessoas. Hoje, ao vê-la entubada, em silêncio, sem o brilho espontâneo que sempre lhe foi peculiar, percebo como a vida é frágil — e ao mesmo tempo profundamente sagrada.



Talvez ela sequer compreenda o que acontece ao redor. Talvez apenas o sopro da vida permaneça lutando silenciosamente dentro dela. E esse sopro, por si só, já é um milagre.



Enquanto escrevo, lembro-me das salas frias da Fortaleza Santa Catarina, que um dia abrigaram dor, medo e espera. Hoje transformadas em espaços de arte, música e criação, elas nos provam que até os lugares mais marcados pelo sofrimento podem voltar a florescer.



Quem sabe a vida também não seja assim?



Talvez existam batalhas invisíveis acontecendo dentro daqueles que amamos — batalhas que não vemos, mas que exigem coragem de fortaleza. E Teresa sempre foi isso: uma fortaleza humana. Não de pedra, mas de generosidade, de cultura, de incentivo e de presença.



Há pessoas que deixam marcas sem precisar de monumentos. Elas vivem no que semearam nos outros.



E se as pedras da Fortaleza resistem ao tempo, algumas almas também resistem à ausência, porque continuam vivas na memória, na gratidão e no amor daqueles que caminharam ao seu lado.



Hoje não escrevo apenas sobre uma acadêmica. Escrevo sobre a delicadeza da existência. Sobre a dor de assistir alguém amada silenciar aos poucos. Sobre a impotência humana diante da finitude. Mas também escrevo sobre honra. Sobre gratidão. Sobre a necessidade de dizer em vida aquilo que o coração não suportaria guardar para depois.



Porque algumas pessoas não passam pela nossa história. Elas permanecem nela. 


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