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Quando a Máscara Cai

19 de jul.
2 min de leitura

O poder tem uma curiosa capacidade de revelar aquilo que o tempo ainda não mostrou. Enquanto tudo está favorável, muitos parecem humildes, leais e comprometidos. Mas basta que interesses pessoais sejam contrariados para que a verdadeira essência venha à tona.


O poder tem uma curiosa capacidade de revelar aquilo que o tempo ainda não mostrou. Enquanto tudo está favorável, muitos parecem humildes, leais e comprometidos. Mas basta que interesses pessoais sejam contrariados para que a verdadeira essência venha à tona.


A máscara não costuma cair de uma vez. Ela vai se desprendendo em pequenas atitudes: na ingratidão, na falta de lealdade, na vitimização conveniente, na incapacidade de reconhecer quem estendeu a mão e abriu portas ao longo da caminhada.



Há quem confunda cargos com grandeza, autoridade com caráter e influência com respeito. O cargo é passageiro. A caneta muda de mãos. O poder termina. O caráter, porém, permanece como a única herança que ninguém consegue maquiar por muito tempo.


Na vida pública, a coerência vale mais do que os discursos. É fácil defender princípios quando eles favorecem nossos interesses. Difícil é mantê-los quando a realidade exige desprendimento, gratidão e responsabilidade.


Quem vive apenas em função das próprias conveniências acaba prisioneiro de um ciclo insaciável: nunca basta o cargo, nunca basta o reconhecimento, nunca basta o privilégio. Sempre haverá um novo interesse a ser protegido. E, nesse caminho, muitos deixam de servir à coletividade para servir apenas a si mesmos.


O tempo é o mais justo dos juízes. Ele não precisa levantar a voz nem fazer acusações. Apenas revela. E, quando revela, permite que cada pessoa seja conhecida não pelo que dizia ser, mas pelo que demonstrou ser diante das escolhas que fez.


No fim, as máscaras sempre caem. Não porque alguém as arranca, mas porque a verdade tem a estranha capacidade de sobreviver às aparências. E, quando isso acontece, não é a imagem que permanece na memória das pessoas, e sim o caráter que as atitudes revelaram.


Que nunca nos esqueçamos de que a maior autoridade não está na cadeira que ocupamos, mas na integridade com que a deixaremos quando chegar a hora de partir.


Tania Castelliano 


 
 
 

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